Milena Teixeira

TSE avalia proposta que prevê restrições a canais de grande audiência na reta final da eleição

Milena Teixeira

21/10/2026 15:47

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Integrantes das campanhas do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acompanham com atenção uma proposta de resolução que circulou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prevê a proibição de “canais com grande audiência” no período entre 48 horas antes da votação e 24 horas após o encerramento das eleições.

Segundo fontes das duas campanhas ouvidas pela coluna, apesar de sinalizações divergentes de ministros da Corte, a tendência, neste momento, é que a medida não avance no tribunal.

3 imagens

1 de 3
Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE
Vinícius Schmidt/Metrópoles
2 de 3
Nunes Marques pede à área técnica do TSE análise sobre "Exército do Lula"
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
3 de 3
Debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na Band
Renato Pizzutto/Band
Integrantes do TSE teriam indicado que não seria oportuno promover uma mudança dessa natureza na reta final da campanha, diante do risco de provocar reações e alterar as regras eleitorais a poucos dias da votação.
Aliados de Lula avaliam que uma eventual aprovação da proposta seria controversa e poderia ser interpretada como um sinal de desespero da campanha de Flávio , além de uma tentativa de “levar no tapetão” uma disputa que deveria ser definida nas urnas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
No entorno de Flávio Bolsonaro, por outro lado, interlocutores afirmam ter recebido sinalizações de que a iniciativa ainda poderia avançar no TSE. Até o momento, porém, não há definição sobre o destino da proposta nem indicação conclusiva de que a maioria dos ministros apoie a medida.
A proposta
A minuta traz no texto a justificativa de que a Resolução nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019, deve ser alterada “para dispor sobre a proteção reforçada da integridade do processo eleitoral no período crítico do pleito”.
No texto ainda só no campo da discussão, é considerado que canais com mais de 200 mil seguidores têm potencial de interferir no alcance da propaganda, da mesma forma que conteúdos impulsionados. E que cabe ao TSE regulamentar a propaganda eleitoral de acordo com o cenário e as ferramentas tecnológicas existentes em cada momento eleitoral.
Duas reuniões
Em nota à imprensa, divulgada nesta quarta-feira (21/10), o gabinete do vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, afirmou que o tema foi debatido duas vezes em reuniões realizadas na sexta-feira (16/10) e na terça-feira (20/10).
Nessas reuniões, houve consenso entre todos os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto. Por decisão conjunta, ficou a cargo do ministro André Mendonça elaborar o texto, que seria submetido à avaliação e à deliberação de todos.
Por tradição, cabe ao vice-presidente do Tribunal redigir os atos normativos que o colegiado vai apreciar.
“A minuta não é uma iniciativa individual. A necessidade de sua elaboração parte de um entendimento construído em conjunto, o texto ainda está em discussão interna, e qualquer versão final depende de deliberação colegiada do Tribunal”, diz a nota.
O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos.


