A Fundição de Oeiras foi uma das maiores unidades industriais do concelho de Oeiras, em Portugal, dedicando-se à fundição de ferro, ao fabrico de banheiras esmaltadas, fogões e material de fins militares. Fundada em 1921, foi intervencionada pelo Estado após o 25 de Abril de 1974 e cessou atividade no final da década de 1980. Em 2000, o Estado, através do IPE – Investimentos e Participações Empresariais, S.A., alienou o espaço com o objetivo de desenvolver um projeto imobiliário para dar nova vida às antigas instalações fabris.

História A empresa Fundição e Construção Mecânicas, SARL, mais tarde conhecida como Fundição de Oeiras, foi fundada em 1921 para apoiar as Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade. Inicialmente estabelecida na Rua dos Fanqueiros, em Lisboa, transferiu-se em 1930 para Oeiras. O nome Fundição de Oeiras apenas foi adotado em 1968. O portefólio de atividades expandiu-se ao longo das décadas:

anos 1930 – banheiras de ferro fundido esmaltado; anos 1940 – fogões a gás de ferro fundido e esmaltado; anos 1950 – garrafas para gás liquefeito e munições militares; anos 1960 – fogões de chapa esmaltada e espoletas de precisão; anos 1970 – extrusão de alumínio e fabrico de máquinas de lavar roupa; A década de 1960 marcou um período de forte crescimento, modernização tecnológica e implementação de estruturas sociais de apoio aos trabalhadores, como infantário e posto clínico. Foi também nessa fase que a produção militar atingiu o seu auge, com morteiros e espoletas utilizados na Guerra do Ultramar e exportados para o Irão durante o conflito Irão–Iraque. No início da década de 1980, a empresa empregava mais de 1.300 trabalhadores e as instalações ocupavam cerca de 80.000 m2, em terrenos com aproximadamente 16 hectares.

Intervenção estatal e encerramento Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, a Fundição de Oeiras foi intervencionada pelo Estado por resolução do Conselho de Ministros de 20 de maio de 1975. Em 7 de setembro de 1977, foi determinada a sua transformação em empresa de economia mista. Com o fim da guerra e a perda do mercado das antigas colónias, aliadas ao aumento da concorrência externa, a atividade foi progressivamente reduzida, culminando no encerramento no final da década de 1980. Durante os anos 1990, as instalações foram desmanteladas e parte do espaço arrendada a empresas como a Siemens e a CP – Comboios de Portugal. Em janeiro de 2000, o IPE colocou à venda a Fundição & Construção Mecânica, S.A., da qual detinha 99,9972% do capital.

Ligações externas Imagem histórica – António Amaral, trabalhador da Fundição durante quase quatro décadas A Alma de uma Fábrica – Histórias de Vida, testemunho de Mestre Carlos Alberto

Ver também Oeiras

Referências