Do alto, muralhas cor de terra contornam um labirinto de ruas estreitas, cúpulas e minaretes. Em Khiva, no Uzbequistão, esse desenho quase geométrico pertence a Itchan Kala, uma cidade interior que guarda mais de dois milênios de história. O contraste surpreende: atrás de paredes monumentais, a vida cotidiana continua entre palácios, antigas escolas e oficinas de artesãos.

Como as muralhas de Khiva desenham um retângulo de 26 hectares?

🏛️ Séculos V e VI: Primeiras muralhas, segundo o turismo oficial.

🌿 1688: Conclusão da cidadela dos governantes locais.

🚀 1990: Reconhecimento como Patrimônio Mundial.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o retângulo histórico mede 650 por 400 metros. As muralhas de tijolos alcançam até 10 metros de altura e distinguem a cidade interior do restante da área urbana. Portanto, os 26 hectares não representam Khiva inteira, mas seu núcleo fortificado.

Quatro portões organizam o acesso ao recinto, cada um voltado para uma direção. Do lado de fora, a forma regular parece uma caixa fechada sobre a paisagem da região de Khorezm. Entretanto, a UNESCO registra 37,5 hectares para toda a propriedade inscrita, medida diferente da superfície ocupada pelo núcleo interior.

Por que essa cidade murada foi importante para as caravanas?

Ruas históricas evocam as antigas rotas comerciais - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Durante séculos, a antiga cidade funcionou como parada para caravanas que seguiam pelo deserto em direção à Pérsia. Por isso, suas ruas reuniram comércio, espaços religiosos e atividades ligadas à circulação de viajantes. A localização no antigo oásis de Khiva ajudou a consolidar essa função histórica na Ásia Central.

Mais tarde, governantes ampliaram o conjunto com palácios, mesquitas e escolas religiosas, conhecidas como madraças. A cidadela Kunya-Ark, concluída em 1688, formava outra fortaleza dentro do recinto e abrigava residências, oficinas e até uma casa da moeda. Assim, o visitante encontra camadas diferentes de poder e vida urbana concentradas em poucos quarteirões.

O que visitar em Itchan Kala além das muralhas?

O patrimônio não se resume ao contorno geométrico observado do céu. A UNESCO identifica 51 construções monumentais antigas no conjunto, entre mesquitas, mausoléus, escolas e antigos espaços comerciais. Entretanto, alguns detalhes ganham força somente quando o visitante percorre as ruas a pé.

Um roteiro curto pode reunir edifícios conhecidos e um espaço menos óbvio. Cada parada revela uma função diferente da antiga cidade interior.

- Minarete Kalta Minor: estrutura revestida de azulejos coloridos cuja construção começou em 1852 e parou em 1855, antes da altura planejada.

- Mesquita Juma: espaço religioso marcado por um salão de colunas de madeira esculpida e iluminação discreta.

- Palácio Tash-Khauli: residência do século XIX com pátios internos, salas e elementos decorativos trabalhados por artesãos locais.

- Mausoléu de Pahlavon Mahmud: conjunto conhecido pela cúpula azul e pela ligação com um poeta e artesão reverenciado na região.

- Portão Ata Darvaza: passagem ocidental reconstruída em 1975, um ponto útil para observar a transição entre o exterior e as ruas muradas.

Como chegar a Khiva e organizar a visita?

Khiva encanta visitantes com sua arquitetura antiga e ruas históricas // Créditos: depositphotos.com / monticello

O aeroporto mais próximo fica em Urgench, a aproximadamente 28 km de Khiva, conforme informações municipais. Desde setembro de 2026, um trem também liga o aeroporto à cidade, segundo o governo do Uzbequistão. Assim, visitantes podem combinar transporte aéreo, ferrovia e deslocamentos terrestres, conforme os serviços disponíveis.

Dentro das muralhas, caminhar permite observar detalhes que a vista aérea esconde. Convém verificar horários e ingressos dos monumentos antes do passeio, pois o acesso às ruas não garante entrada em todos os edifícios. Por fim, roupas respeitosas são recomendáveis em espaços religiosos, e calçados confortáveis ajudam nas vias pavimentadas.

Percurso

O que observar

Chegada

Aeroporto de Urgench, conexão ferroviária e acesso à cidade interior.

Caminhada

Portões, vielas, monumentos e oficinas tradicionais dentro das muralhas.

O que torna Itchan Kala diferente de um museu comum?

A fortificação não abriga somente monumentos antigos e corredores de visitação. Um informe da agência uzbeque de patrimônio cultural registrou, em 2024, mais de 3 mil residentes e 360 domicílios dentro da área histórica. Portanto, a conservação convive com casas habitadas, trabalho artesanal e atividades comerciais.

Segundo o portal oficial de turismo do Uzbequistão, moradores ainda vivem e trabalham nesse cenário. A UNESCO também valoriza as casas tradicionais com pátios internos e pilares esculpidos, não apenas as construções monumentais. Ao mesmo tempo, aponta desafios de conservação ligados à umidade, salinidade do solo e cupins, fatores que exigem atenção contínua.

Uma viagem que começa pelo alto

A vista aérea de Itchan Kala revela um retângulo monumental, mas suas ruas mostram uma história mais complexa que a simples geometria. Entre casas habitadas e edifícios antigos, Khiva reúne a memória das caravanas e o trabalho de gerações de construtores. Por isso, a visita ganha sentido quando combina a observação das muralhas com tempo para conhecer seus espaços interiores. Minha sugestão é caminhar sem pressa e reparar nos detalhes que nenhuma fotografia feita do alto consegue mostrar por completo.

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