Rio de Janeiro — O longa-metragem pernambucano A Margem do Rio foi o grande destaque da Première Brasil no Festival do Rio 2026. Após conquistar o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suíça, o filme dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias venceu cinco categorias na mostra competitiva carioca, incluindo a de Melhor Longa-Metragem de Ficção.Em entrevista ao Metrópoles, os cineastas falaram sobre as inspirações para a história, a relação pessoal e profissional que deu origem ao projeto e a emoção de apresentar o trabalho ao público brasileiro após o reconhecimento internacional.6 imagensFechar modal.1 de 6Matheus Farias e Enock Carvalho, diretores do filme A Margem do RioCLAUDIO ANDRADE/Festival do Rio2 de 6A Margem do Rio venceu 4 categorias do Premiere Brasil no Festival do RioCLAUDIO ANDRADE/Festival do Rio3 de 6Cena de A Margem do RioDivulgação4 de 6Cena de A Margem do RioDivulgação5 de 6Cena de A Margem do RioDivulgação6 de 6Caique Copque e Ítalo Martins em A Margem do RioDivulgaçãoAmbientado no Recife, cidade marcada pela presença de rios e manguezais, A Margem do Rio acompanha Izaquiel, um jovem auxiliar de serviços gerais que busca encontros secretos no mangue durante a noite. Nesse contexto, ele conhece Jeremias, um pescador misterioso e magnético. Quando uma ameaça externa leva violência ao local, os dois embarcam em uma jornada pelo manguezal, onde realidade e mito se misturam.Segundo os diretores, a paisagem recifense é um dos pontos de partida do longa. Para Enock Carvalho, a geografia da cidade ajudou a construir a narrativa, que aborda temas como identidade, sexualidade e marginalização.“A inspiração principal é a nossa cidade, Recife. Uma cidade entrecortada por rios e com mangues e esse filme surge a partir da paisagem da cidade. É uma história muito única que se passa dentro da cidade, sobre identidade, sobre sexualidade, sobre marginalização e sobre tudo isso que está aí no Brasil, tendo como principal cenário os mangues do Recife”, explicou.O filme também nasceu da relação entre os dois realizadores, que são um casal e dividem a parceria profissional. De acordo com Matheus Farias, a ideia foi amadurecida ao longo de quase sete anos e incorpora experiências pessoais, entre elas o período em que viveu dentro da igreja evangélica.“Acho que é um filme que nasce também de um sonho que a gente vem pensando há quase sete anos juntos e é um filme que nasce do nosso encontro com o Enock. Somos um casal, somos parceiros de vida, parceiros de trabalho. Então, obviamente, a partir desse encontro esse filme vai começando a nascer”, contou. Leia também EntretenimentoA Margem do Rio e mais: os filmes vencedores do 28º Festival do Rio EntretenimentoFestival do Rio começa nesta quinta (1º/10) com filme aclamado em Cannes CinemaDo Recife, A Margem do Rio representa o Brasil no Festival de Locarno CinemaPequenas Criaturas e mais: os filmes vencedores do 27º Festival do Rio O diretor também destacou como as próprias vivências contribuíram para a construção da obra. “O filme vem nascendo desse lugar e também de um passado que eu tenho com a igreja evangélica. Eu passei quase 20 anos dentro da igreja evangélica. Então muitas das histórias, experiências e acontecimentos que se passaram durante esse tempo alimentaram muito esse filme”, revelou.Reconhecimento internacional e estreia no BrasilAntes da consagração no Festival do Rio, A Margem do Rio já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno 2026. A chegada à mostra brasileira foi marcada pela expectativa dos diretores diante da reação do público.No Festival do Rio 2026, o longa conquistou cinco prêmios na Première Brasil: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Atriz Coadjuvante — dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken —, Melhor Fotografia, Melhor Som e o Prêmio Felix de Melhor Filme Brasileiro. O resultado consolidou a produção como um dos principais destaques da edição.*A repórter viajou a convite do Festival do Rio














