Vermelho, amarelo e verde parecem definitivos, mas um grupo de engenheiros de tráfego da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos Estados Unidos, propôs acrescentar uma quarta luz ao semáforo: uma fase branca. A ideia foi apresentada em artigo científico em 2023 e ampliada em 2024 para incluir pedestres.

A proposta depende de veículos autônomos conectados, e os resultados citados vêm de simulações de computador. As fontes consultadas não demonstram implantação em ruas nem estabelecem regras para o trânsito brasileiro.

Como a fase branca funcionaria

Carros conectados

Trocariam informações para coordenar a passagem pelo cruzamento.

Motorista humano

Na fase branca proposta, acompanharia o movimento do carro à frente.

Poucos autônomos

O semáforo voltaria à sinalização convencional.

Para que serviria uma luz branca

O raciocínio é o seguinte. Carros autônomos conectados conseguem trocar informações entre si e com o semáforo. Quando houver veículos desse tipo em número suficiente se aproximando de um cruzamento, eles poderiam negociar a passagem entre si, sem precisar da alternância fixa entre verde e vermelho.

Nesse momento o semáforo acenderia a luz branca. Para o motorista humano, a instrução seria simples: siga o carro da frente. Se ele parar, pare; se ele avançar, avance.

Vermelho e verde continuariam existindo. Quando houvesse poucos autônomos na via, o semáforo voltaria ao funcionamento normal. Os pesquisadores também disseram que a cor é o menos importante: o branco foi uma escolha, e qualquer sinal claramente reconhecível pelos motoristas serviria.

Na proposta, veículos conectados coordenariam a passagem e o sinal branco orientaria os demais motoristas. Conceito de pesquisa, não sinalização instalada. Imagem gerada por inteligência artificial / Olhar Digital.

O que as simulações mostraram

Os números vêm de modelos computacionais de um cruzamento isolado, não de testes em ruas reais. No estudo de 2023, segundo o comunicado da universidade, com 10% de veículos autônomos os atrasos no cruzamento caíam cerca de 3%; com 30%, a queda chegava a 10,7%. Quanto maior a fatia de autônomos, maior o ganho.

O artigo de 2024, publicado na revista Computer-Aided Civil and Infrastructure Engineering, acrescentou pedestres ao modelo e estimou que, num cenário de adoção quase total de carros autônomos, o atraso médio no cruzamento cairia até 27%, com menos espera também para quem atravessa a pé.

Há ressalvas importantes, apontadas pelos próprios autores. O modelo supõe comunicação entre veículos sem falhas nem atrasos, pedestres que obedecem totalmente à sinalização e carros autônomos que executam as trajetórias combinadas com precisão.

Em 2024 a equipe dizia estar montando uma bancada de testes física com veículos em miniatura, pequenos o bastante para caber na mão. Essas fontes não apresentam teste com carros de verdade.

Uma proposta desenvolvida em etapas

Os estudos discutidos aqui são de 2023 e 2024. O conceito, aliás, é ainda mais antigo. A equipe diz ter apresentado a primeira versão em 2020, com controle centralizado; em 2023 veio uma versão em que os próprios carros coordenam a travessia entre si; em 2024, a inclusão dos pedestres.

A luz branca descrita aqui é uma proposta de pesquisa. Os ganhos simulados dependem da presença de veículos autônomos conectados e das condições assumidas pelos modelos; não são uma demonstração de desempenho nas ruas.

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